“Invasão dos Queixadas”: Justiça deve pedir reintegração de posse

Cerca de 100 famílias que invadiram um terreno particular em Cajamar, em 2019 (LEIA), realizaram uma manifestação na sede do PSD, na Capital, na última segunda-feira (23). Eles acusaram a prefeitura de promover o despejo, porém, essa acusação foi rapidamente desmentida, pois o terreno é particular e a ação do despejo ocorre pela Justiça, com a dona do terreno, sem interferências com a gestão municipal.

Os manifestantes argumentaram que moram há seis (6) anos no local e que enfrentam um processo judicial de reintegração de posse, que pode acontecer nos próximos dias. Líderes da “Ocupação dos Queixadas”, ainda argumentam que o governo do estado manifestou a possibilidade de inclusão da comunidade no “Programa Cidade Legal”. No entanto, isso dependeria da assinatura da gestão Kauãn Berto.

A mobilização da Ocupação dos Queixadas é parte da campanha Despejo Zero que, no último dia 11, reuniu aproximadamente 10.000 pessoas em protesto no centro de São Paulo contra medidas de despejo no estado.

O que diz a dona do terreno?

Em nota, a dona do terreno afirma que existe uma ordem judicial de reintegração de posse pendente desde 2021 e que o caso não é de ocupação por famílias sem moradia, mas sim de invasão ilegal, com cerca de 30 pessoas — e apenas 10 desde o início. “A área não era abandonada, estava registrada, com impostos pagos e era cuidada. A invasão gerou problemas como tráfico de drogas, violência e degradação ambiental, incluindo a derrubada de árvores e destruição de um cemitério de animais” – disse.

Ela ainda destaca que é a legítima proprietária do terreno, com documentos registrados em cartório e na prefeitura, e já aguarda há seis anos pela restituição da posse. Segundo ela, a prefeitura não deve legitimar uma ilegalidade, mas sim cumprir a ordem de reintegração emitida pelo TJSP e STF.

NOTA DA PREFEITURA

Em nota oficial, a Prefeitura esclarece que a reintegração de posse da área conhecida como “Ocupação dos Queixadas” é uma decisão judicial, e não uma ação do município; e ainda destaca que ao longo dos anos, houve diálogo e apoio às famílias ocupantes, conduzidos pelo secretário de Habitação, Leandro Arantes e que a desapropriação do local pela prefeitura não é possível, pois a área está em litígio e já há decisão judicial definitiva sobre o caso.

Apesar de tratativas para inclusão no programa Cidade Legal, a ocupação é considerada não consolidada e reversível.

A Prefeitura reforça seu compromisso com o acolhimento de famílias vulneráveis e informa que conjuntos habitacionais estão sendo construídos para moradores de áreas de risco. A gestão afirma que continuará agindo com responsabilidade social, respeito à lei e foco em soluções sustentáveis.

Texto: Fernando Crus – MTB 80631/SP

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